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As mudanças climáticas deverão afetar a vida dos viajantes corporativos de diversas formas nas próximas décadas, já que o aumento das temperaturas globais está diretamente relacionado com a maior intensidade das turbulências.

Há uma crescente quantidade de estudos que abordam essa relação e afirmam que a mudança acontecerá principalmente durante a segunda metade deste século e em rotas entre a América do Norte e a Europa. “As mudanças climáticas estão fortalecendo as diferenças de temperatura entre o norte e o sul, o que consequentemente intensifica as correntes de ar que impulsionam os aviões. Quanto mais fortes são essas correntes, maior será a chance de uma turbulência do céu claro (CAT, na sigla em inglês), explica o Dr. Paul Williams, da Universidade de Reading, no Reino Unido.
A CAT é resultado do choque de massas de ar que se movem em diversas velocidades e geram intensos redemoinhos, o que pode por sua vez resultar em passageiros feridos, como o que aconteceu no voo da aérea Aeroflot entre a Rússia e a Tailândia no início do mês passado. Esse tipo de turbulência é um dos mais perigosos, já que acontece em condições climáticas absolutamente normais e com o céu limpo, o que torna praticamente impossível de se prever e acaba pegando passageiros e pilotos de surpresa.
A pesquisa mais recente de Williams e seus colegas, publicada no mês passado na revista Advances in Atmospheric Sciences, mostrou que turbulências de todos os graus de severidade aumentam de intensidade em simulações de aquecimento do clima, mas o maior aumento é visto em turbulências severas, como a que afetou o voo da Aeroflot.
“Aumentos na turbulência leve e moderada não ferirão ninguém, mas provocarão ansiedade entre os viajantes nervosos. Por outro lado, os 149% de aumento em turbulências severas que nós calculamos em nossos estudos serão o suficiente para provocar ferimentos graves em passageiros”, conta Williams.
Isso poderia afetar milhares de voos por dia, considerando que o aumento da turbulência faria com que os aviões tentem evitar certas áreas, o que resultará em mais combustível consumido e outros custos. Sendo assim, as viagens da Europa para a América do Norte poderiam tornar-se mais longas e maus caras, por conta da maior quantidade de combustível necessária. Por outro lado, a rota inversa seria mais rápida e mais barata. Enquanto os estudos de Williams se concentraram nas rotas transatlânticas no Hemisfério Norte, ele sente que os impactos serão sentidos globalmente. “A tendência é que as mesmas conclusões sobre o Atlântico Norte se apliquem a outras rotas de voo de latitude média ao redor do mundo (nos hemisférios do norte e do sul)”, explica o especialista.

É claro que ao longo dos próximos anos os cientistas e climatologistas desvendarão em seus estudos e experimentos mais informações sobre este fator, mas enquanto os resultados não aparecem é possível fazer uso de tecnologias avançadas que as companhias aéreas desenvolvem para detectar turbulências pelo trajeto. Com isso, antes mesmo do voo os pilotos podem saber onde é preciso fazer algum desvio na rota para evitar incidentes. Algumas companhias já largaram na frente nesse sentido, com o intuito de deixarem seus passageiros sempre mais seguros.

*Fonte: CNN Traveler